Mafalda, de Quino

As histórias em quadrinhos – ou, simplesmente, HQ – sempre foram utilizadas em cartilhas para ajudar as pessoas a compreenderem determinados direitos. Mas, ao se falar em governo, direito e política, uma das personagens do mundo dos quadrinhos que logo vem à memória é uma pequena argentina de sete anos. Quem é ela? Mafalda. Ela odeia sopa, adora os Beatles e Pica-pau. Apesar da pouca idade, mostra-se engajada e contra o estado caótico no qual o mundo está.
Mafalda, na verdade, tem quase 47 anos. Ela foi criada pelo argentino Quino (Joaquín Salvador Lavado) em 1964, década na qual o planeta vivia várias modificações e fatos marcantes, como a Guerra Fria e a Guerra do Vietnã. Quino logrou fazer de Mafalda uma personagem impar. É através da menina que o desenhista critica não só a sociedade argentina, mas também a humanidade em geral.
Mafalda é filha de Tomas e Raquel e vive na Calle Chile, 371, San Telmo, um bairro de classe média em Buenos Aires. A menina geralmente está em conflito com a "Mamá", pois a vê como medíocre por não ter completado os estudos, mesmo tendo ingressado em uma universidade. "Guille", o irmão caçula de Mafalda, é aquela criança que começa a perceber o mundo. Ainda tem "Libertad", uma garotinha muitíssimo pequena… Coincidência? Em se tratando de Quino, possivelmente, não é. Essa personagem surgiu em 1970, durante a ditadura na República da Argentina. O sonho de Libertad é que o povo tenha consciência da situação do país e comece, então, uma revolução social. E o bichinho de estimação de Mafalda e Guille? Trata-se de uma tartaruga que, não por acaso, chama-se Burocracia! Outro que está nas historinhas é Felipe, amigo sonhador, que odeia a escola e sofre com conflitos internos. Felipe foi inspirado em um jornalista, amigo de Quino.
Os textos de Mafalda são sarcásticos, serviram (durante a ditadura) e ainda servem (porque muitos dos problemas daquela época não mudaram…) para colocar à prova o papel do homem na sociedade como cidadão. Certo dia, a menina pergunta à mãe: "Mãe, pra que a gente está no mundo?" A mãe, então, diz: "Para trabalhar, para nos amar, para fazer deste mundo um mundo melhor." Mafalda reflete e contradiz: "Sua danada! Você nunca disse que tinha tanto senso de humor!" Numa outra vez, ela está com um ursinho de pelúcia, observando um globo e fala: "Olha, este é o mundo, está vendo? Sabe por que este mundo é tão bonito? Porque é um modelo reduzido. O original é um desastre!"
Quino deixou de escrever as tirinhas de Mafalda em 1973. Ele disse que pensou muito dois anos antes de tomar a decisão. Apenas três anos após o término das histórias de Mafalda, houve o Masacre de San Patricio, no qual foram assassinados três sacerdotes e dois seminaristas na Igreja de San Patricio, no bairro de Colegiales, em Buenos Aires. Junto aos corpos estava escrito: "Por los camaradas dinamitados em Seguridad Federal. Venceremos. Viva la Patria. Estos zurdos murieron por ser doctrinadores de mentes vírgenes y son M.S.T.M [Movimiento de Sacerdotes para el Tercer Mundo]." Também havia uma ilustração de Mafalda… Nela, a menina mostrava o cassetete da polícia: "Este es el palito de abollar ideologías" (Este é o pauzinho que fere, mata ideologias.)
Não podia imaginar Quino que, 36 anos depois do fim das tirinhas, Mafalda se tornaria um verdadeiro símbolo da Argentina e da crítica contra a ditadura, a impunidade, o atraso na América Latina. Hoje ela é nome de praça em Buenos Aires e está estampada nas cerâmicas da estação Catedral da linha D. Quem dera todos nós fôssemos um pouco como Mafalda…Muchas gracias a Usted, Quino. O mundo agradece!
Fonte:http://www.entrelinhas.info/a-pequenagrande-mafalda-e-os-direitos-politicos/
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4 Comentários:

  1. amo mafalda
    obrigada pelas imagens.
    Aqui em casa ela faz parte da nossa família ,juntamente com seus amigos e familiares e claro,Quino.
    abraços

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  2. Olá! Adoro a boneca Mafalda,tanto que a minha filha chama-se Mafalda.
    Gostava de saber como conseguir o gráfico, em ponto de cruz, da Mafalda na praia. Obg
    Marta

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